Hoje se alguém me pedir pra não chorar,
responderei:
Não posso, minha alma está em prantos.
O tempo passa e a existência de pessoas que
nos são importantes, nos proporciona a honra e o inimaginável prazer em
expressar o quanto somos felizes por tê-los em nossa história e é essa honra
que vou guardar pra sempre, pois conheci um mestre chamado Levino Alcântara, um
maestro que regeu não apenas corais ou orquestras, mas vidas, que mudou muitas,
que ensinou que se pode ser diferente e que a música transforma tudo, pois tem
um jeito mágico de acontecer.
Ontem ele se foi e hoje o enterramos, mas
jamais será sucumbido o que aprendemos com ele . Confesso que não sou boa em
lidar com perdas e essa não foi diferente. Durante o enterro, olhando os
instrumentos juntos, misturados a túmulos a sensação que tive era de que eles
também queriam se despedir e agradecer por terem ganhado vida e importância
proporcionados por um ser tão maravilhoso como foi o Maestro Levino. Era como
se a cada sopro saído da trompa e do
clarinete fosse a tentativa de expressar a dor sentida por entregar o corpo do
maestro, que se foi, mas que viverá para sempre na música emitida em cada
instrumento ou apenas cantarolada por alguém. O último som instrumental veio de
um violino que com um agudo emitia como se fosse um grito de adeus. E hoje
choram pessoas e instrumentos, pois embora sua obra transcenda a finitude da
existência humana, nosso coração sente uma saudade de uiva.
Vá com Deus Maestro, que o céu o receba com
músicas de alegria e MUITO OBRIGADA POR TUDO!!!!!!
